Como viver uma vida com propósito – Ame as pessoas, use as coisas.

Escrever para você hoje é um grande desafio. O motivo disso é o seguinte: me dei conta da verdadeira razão que me levou a construir e continuar construindo o Blog Franca Mente, o projeto #VivendoFrancamente e isso me assustou.

Já te falei da minha depressão neste post aqui e contei como foi que ela começou, mas eu ainda não te contei como o projeto #VivendoFrancamente surgiu.

Foi assim: eu havia retornado para a casa da minha mãe e estava engajada em tornar o blog minha fonte de renda e passava o dia todo em frente o computador buscando receitas de comida vegetariana e outras coisas que eu acreditava que precisavam estar aqui e me deparei com o assunto sustentabilidade.

Comecei a pensar no que era aquilo e comecei a ver vários vídeos de receitas de produtos de higiene e limpeza naturais e como era grande o impacto na minha vida e no meio ambiente causados pelo uso de produtos convencionais de higiene e limpeza.

Isso me fez pensar sobre o que eu queria da minha vida e o que me levou a chegar naquele ponto.

Eu estava em depressão e ainda não via o sentido real de fazer qualquer coisa que eu estava fazendo, mas eu estava tentando, e tentando, e tentando… só não sabia onde queria chegar.

Foi aí que, depois de passar um dia inteiro vendo vídeos sobre uma vida lixo zero e as mudanças que eu poderia fazer que seriam significativas na minha vida doméstica que eu pensei: todas as minhas escolhas influenciam na vida de outras pessoas!

Até o lixo que eu produzo em casa pode afetar a vida de alguém! Eu posso ajudar ou ferir alguém até mesmo quando estou comprando pão na padaria!

Eu nunca havia me dado conta disso: minhas escolhas importam!

E esse pensamento continuou por uns dias, até que eu me peguei pensando: eu quero muito viver de verdade! Eu quero muito VIVER FRANCAMENTE!

Logo entendi que precisava mudar a minha forma de ver as coisas e fazer as coisas.

Chamei minha mãe para uma conversa e perguntei se era possível fazer algumas mudanças em casa para usarmos produtos de limpeza naturais e coisas que gerassem menos lixo ou lixo zero no nosso dia-a-dia e que eu queria registrar isso. Ela achou estranho, muuuito estranho, mas topou!

Conforme eu ia mudando as coisas em casa o pensamento de querer viver francamente, viver de verdade não saía da minha cabeça e começava a tomar novas formas. Ele começou a se transformar em coisas como: o que é inteligência emocional? Preciso ter intenção de viver, intenção de fazer as coisas?

Esse pensamento foi se transformando e foi transformando a minha forma de enxergar as pessoas por mais estranho que isso pareça ser.

Praticar o autoconhecimento nesse momento me ajudou a me entender melhor e, ao me entender melhor, eu consigo entender melhor as outras pessoas, me colocar no lugar delas.

Mas não parou por aí…

Comecei a pesquisar sobre consumo.

É assustadora a forma como nós, como sociedade, consumimos! A indústria da moda, por exemplo, conseguiu criar 52 estações por ano! Não existe mais primavera-verão e outono-inverno, isso já está ultrapassado..

Outra coisa que me assustou foi a fala de um psicólogo que criou um estudo sobre o consumo e as relações pessoais (eu não me recordo o nome dele agora, mas essa fala está num documentário da Netflix chamado “The True Cost”).

Ele dizia que, quanto mais uma pessoa compra, mais ela é infeliz e quanto menos uma pessoa consome, mais ela é FELIZ.

No documentário The True Cost, que é está na Netflix, é possível ver como nós aprendemos a dar valor as coisas e a usar as pessoas. Deixamos de lado todo o valor que a humanidade de alguém tem para usar aquela mesma pessoa em benefício próprio, não nos importando se quem costura a roupa de baixo custo que queremos tanto comprar é um trabalhador escravo.

O que importa hoje é ter, possuir, independente do que isso represente. O que importa é o status que terei.

MAS ISSO ESTÁ ERRADO!

Relações humanas são mais importantes do que coisas e benefícios que possamos ter por causa dos nossos “contatos”.

Coisas estragam, pessoas não! Coisas são descartáveis, pessoas não!

No meio de tudo isso eu me vi encontrando a razão de ser do meu trabalho.

Percebi que preciso ter intenção, propósito em tudo o que faço. Desde a compra de comidas para casa gerando zero lixo , até as pessoas com quem eu converso, faço amizades na vida.

É muito fácil se esquecer que precisamos uns dos outros na correria do dia-a-dia, principalmente quando estamos mergulhados demais em nós mesmos e nos nossos problemas.

Quando tudo o que vemos diante de nós é o nosso próprio nariz, não somos nada diferentes dos políticos que tanto roubam nosso dinheiro e de quem tanto reclamamos.

Sabe por quê não somos nada diferente deles? Porque, por mais que você e eu não roubemos como eles, nós também não nos importamos com as outras pessoas e só pensamos que o “outro” existe quando precisamos de algo que não podemos fazer/possuir sozinhos.

Se você é como eu e quer viver de verdade, comece trabalhando sua forma de enxergar as pessoas ao seu redor e as que não estão perto de você.

Comece a perceber como as suas escolhas diárias afetam a vida de quem vive com você.

Veja a sua lista de amigos e analise quem é de fato amigo e quem é apenas contato.

Não mantenha por perto pessoas que não te fazem bem apenas por aquilo que elas podem oferecer, isso não é justo com você e nem com elas.

Sorria mais por onde quer que for. Dê “bom dia” e “boa noite”. Pergunte às pessoas o que você pode fazer para melhorar o dia delas e faça o que elas disseram, se possível!

Respeite seus limites, acredite em si mesmo (a).

Seja verdadeiro com quem você é e com o que deseja para sua vida.

Não use ninguém para chegar onde quer, lute por isso e encontre parceiros de luta, não facilitadores.

Viva com verdade, viva com intensidade, viva com franqueza!

Pra viver uma vida que valha a pena você não precisa viajar o mundo, montar uma ONG, achar a cura para uma doença incurável ou adotar todas as crianças sem família no mundo. Pequenas atitudes, uma depois da outra, contam muito mais!

Valorize sua vida em primeiro lugar, pratique o autoconhecimento e aprenda a se colocar no lugar de outras pessoas. Isso já vai ser transformador, eu te garanto!

Você é capaz de mudar a realidade ao seu redor mudando a forma como enxerga a vida.

Pra terminar, quero te dizer uma coisa: Da mesma forma que você acredita que deve ser valorizado, honrado, priorizado e respeitado, todos acreditam que também o devem. Leve isso em consideração na próxima vez que for atender o telefone e for um atendente de telemarketing ou um caixa de supermercado. Leve em consideração a forma como você deseja ser visto e tratado, e faça isso na próxima vez que for cumprimentar alguém ou ter uma conversa importante.

São os relacionamentos que temos que trazem alegria para a nossa vida, não os bens que podemos possuir ou as viagens das quais podemos contar que fizemos.

Ame as pessoas, use as coisas.

Até a próxima.