O Doméstico é bom, bonito e necessário

Oi, tudo bem?

Eu não sei muito bem o que vai sair desse texto e qual vai ser o fim dele, mas eu sei que eu preciso escrever.

Tem uns 10 ou 15 dias que eu mudei de casa pela terceira vez só esse ano e você não imagina o quando isso foi difícil pra mim.

Eu trabalho em casa, então foi como mudar de trabalho 3 vezes em 6 meses. Mudar de internet 3 vezes em 6 meses, mudar de vida 3 vezes em 6 meses…

Eu não sou a melhor pessoa pra lidar com mudanças. Sou ansiosa, emotiva, quieta, falante, chorona, adaptável (mas nem tanto assim) e preciso de estabilidade (mas quem não precisa, não é mesmo?).

Eu comecei o projeto #VivendoFrancamente no dia 9 de março deste ano, e a única coisa que eu consegui fazer, de todas as que eu prometi pra você, foi postar algumas receitas aqui no blog e falar sobre como estava difícil seguir a rotina de exercícios e alimentação.

Falhei em todas essas coisas.. Consegui mudar alguns hábitos de consumo, como por exemplo, andar com uma sacola retornável na bolsa pra que, quando eu comprar alguma coisa em qualquer lugar, eu não utilize sacolinha de plástico.

Parei de comprar em mercados e agora só compro em feira e cerealista.
Mudei meus cosméticos e meus produtos de limpeza.
Isso foi bom, mas eu não mostrei nada pra você por quê eu estava perdida tentando reorganizar a minha vida pela 2ª, e agora pela 3ª vez.

Parece que essa é a última vez que reorganizarei as mesmas coisas durante esse ano, mas eu sei que a vida que eu vivo está em constante mudança.
O difícil é encontrar a estabilidade no meio disso..

Não digo nem estabilidade financeira, coisa que ainda to meio longe de encontrar, digo estabilidade emocional, física sabe? Estabilidade suficiente pra viver uma vida normal!

Tenho aprendido, no meio dessa bagunça de caixas e mais caixas onde entra e sai utensílios de cozinha, roupas, livros e etc, que existe uma beleza absurda na normalidade da vida. Existe uma beleza estonteante na domesticidade da vida.

As mulheres da minha geração estão muito ocupadas tentando conseguir uma formação excelente, um carro incrível, uma casa maravilhosa. Fazem isso, na grande parte das vezes, pra provar aos homens e às outras mulheres que elas são melhores e mais fortes e que chegaram mais longe do que disseram que elas seriam capazes.

Mas a minha dúvida é a seguinte: a opinião dessas pessoas sobre mim e sobre você é tão importante assim que eu preciso anular as coisas simples e belas da vida, como poder brincar com a minha cadela embaixo da mesa do meu escritório (que é onde fica a sala aqui de casa) enquanto escrevo um texto ou monto uma palestra, ou enquanto leio um livro, pra poder ganhar dinheiro o suficiente e mais do que suficiente pra satisfazer as expectativas dos outros sobre mim que não são as minhas?

É tão necessário assim deixar o lar, abandonar o sonho nato que todo ser humano tem de pertencer a um lugar ou um grupo, simplesmente fazer parte de algo maior que ele por si só, pra ganhar o mundo inteiro?

Eu tinha o sonho de comprar uma van e viajar o mundo com a Zoe. Eu pensava que Deus era tudo o que eu precisava. Eu esqueci que a sociedade é feita de pessoas. Eu esqueci que os laços são formados com pessoas…

Abandonei esse sonho quando conheci alguém que me provou por A + B que pessoas precisam de pessoas. Família é lindamente necessária em todos os seus aspectos, cores, nuances, terremotos e afins.

Domesticidade é uma bênção! Ter um lar não é coisa de casal que viveu nos anos 50. Casa, família é coisa de gente!

Sou grata a Deus por saber que eu sou esposa de alguém, ainda que eu não tenho marido. Sou grata por saber que eu sou mãe de alguém, ainda que eu não tenha filhos.

Sou grata por não precisar ganhar o mundo inteiro, eu só preciso do dia de hoje, pois basta à ele o seu mal.

Aqui eu chego na resposta da minha pergunta: existem necessidades essenciais na vida de toda e qualquer pessoa: família, lar, sossego, estabilidade emocional, risos em família, abraços entre amigos, choro entre irmãos. Logo, a opinião de quem me diz que eu preciso me formar pra ter um bom emprego e ganhar mais dinheiro não é mais importante do que a voz que diz dentro de mim que sim, preciso de um bom emprego, mas preciso mais de uma família, e eu já tenho isso.

Além dos meus pais, que apesar de eu só conviver com a minha mãe, eu também tenho o meu pai, eu tenho a minha família na fé.

A bíblia diz que Deus faz o órfão habitar em família e isso é uma grande verdade! Também diz que todas as coisas estavam em Jesus antes da criação do mundo e tudo foi criado por meio dele.

Pra mim isso é prova suficiente que todos fomos criados com propósitos diferentes, em lugares e para papéis diferentes (e sim, estou falando de homens e mulheres, não creio na igualdade dos sexos e igualdade de funções entre eles).

Se todas as coisas já estavam nele antes da criação do mundo, ele sabia que eu falharia na minha promessa de trazer o meu processo toda semana aqui e nas outras redes sociais.

Se todas as coisas foram criadas por intermédio dele, ele colocou em mim essa vontade de não desistir e continuar tentando. Caindo e levantando. Parando e recomeçando. Sempre indo…

Pessoas precisam de pessoas. Pessoas precisam de tempo com pessoas. Pessoas precisam da compreensão de outras pessoas. Pessoas não são máquinas robotizadas. Pessoas são pessoas.

Eu amo ser mulher, amo trabalhar em casa, amo cuidar de casa, amo cuidar de pessoas. Amo a domesticidade da vida.

À partir de agora o projeto #VivendoFrancamente vai passar por uma reformulação. Quero voltar a essência do lar, do doméstico, do simples, do verdadeiro, daquilo que é franco. Quero te mostrar o que Deus e a vida fizeram comigo e como eu fui abençoada em ver e viver a simplicidade da vida no meio de todas essas mudanças, que não foram nada fáceis para mim.

Muita coisa mudou, muita coisa aconteceu, tudo saiu do meu controle e eu sou extremamente feliz por isso.